Fotografia além da imagem congelada no tempo
Em 2007 comecei a perceber a fotografia sob uma ótica bastante diferente daquela que eu costumava - o mero congelamento de um momento. Comecei a tentar sentir a energia que uma paisagem transmite, algo que vai muito além da beleza estética da imagem. E foi assim...

Em algum lugar no sul do Sahara, ao fim de uma tarde quente e de muito trabalho, estava eu sentado, sozinho, sobre uma macia e confortável duna tentando esvaziar minha mente admirando a linda paisagem estampada em minha frente. Toda a visão era bela e única, mas uma particularidade, insistentemente, desviava-me da vontade de não me ater aos detalhes: aquele tortinho e pequenino arbusto encostado em uma duna.
O arbusto e a duna tão pertos um do outro insistia em chamar minha atenção. Rendi-me. Comecei a refletir sobre a grande generosidade da areia e do vento em poupar a arvorezinha da uma morte certa por soterramento. Ou seria, talvez, a árvore que formara um anteparo para o vento, permitindo a existência daquela duna em um contexto tão harmonioso com a planta. Se a última hipótese fosse a mais provável, como haveria se formado tamanha duna? Seria no princípio um único grão de areia que teria sido protegido de ser levado pelo vento escondendo-se por detrás do arbusto, e depois veio um segundo grão, um terceiro, e assim sucessivamente até formar um montinho que foi crescendo até aquele tamanho? Então a duna teria a mesma idade da árvore?! Será que a duna cresceu conforme a árvore cresceu? E se o vento mudar de direção? Seria a árvore então soterrada, ou a duna que se deslocaria novamente para detrás da árvore, só que agora no lado oposto?

Aproximei-me do arbusto e senti a imensa vontade que ele tem de viver. Um pouco mais alto do que eu, foi capaz de se nutrir e crescer consumindo os míseros nutrientes que um solo tão duro e seco poderia oferecer. Suas raízes ocupavam uma grande área, certamente trabalhava duro pra extrair alguma umidade daquele solo. Embora havia três caules saindo da terra, era fácil perceber que estavam unidos por uma única e imensa raíz subterrânea. Provavelmente, estava ali há muitos anos, tinha o caule tão áspero e tortuoso, uma aparência envelhecida, como um bonsai bem antigo. Perante aquela imagem e refletindo um bom tanto, lembrei-me de coisas que havia lido no passado, coisas que diziam que tudo no universo são pequenas partes de uma grande unidade. Foi então que eu entendi a verdade, a minha verdade naquele momento, como numa epifania. Tanto a duna como a árvore estavam juntas com o sol, o vento e tudo o mais ali, num contexto único e universal. Tudo alí estava em plena interação, e eu também fazia parte deste contexto, desta interação. Ao entender isso fiquei tão feliz, senti uma satisfação tão grande em saber que eu fazia parte daquela beleza e que aquela beleza também fazia parte de mim. Hoje a fotografia permite-me lembrar daquele momento, evoca sentimentos interiores que me faz reviver aquela sensação, mesmo agora, estando eu sob ruídos urbanos, num lugar frio, sujo e muito pouco bonito.
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O Mundo Digital pode ajudar a proteger o Mundo Real? A substituição da mídias impressas pelas vias digitais, algo que está aumentando muito atualmente, demonstra ser um contributo para a redução de consumo de materiais, energia e mão-de-obra. Quando pagamos nossas contas, fazemos compras e lemos no computador estamos reduzindo o uso de matéria-prima, reduzindo o consumo de energia (envolvidos na confecção, transporte e impressão), bem como na redução de resíduos. Por exemplo: o jornal impresso, uma grande quantidade de papel que nos traz notícias de ontem e que diariamente são descartados. Para fazê-lo há um imenso gasto energético das máquinas que fazem o papel, que fazem a tinta, para o imprimir, também há o gasto de combustível para transporte da matéria prima (que é de grande quantidade) e novamente para o deslocamento da imprensa até o jornaleiro. Enquanto que eu posso ler notícias da última hora (ou do último minuto) sem gerar resíduos ou cortar árvores por meio de meu computador. O gasto energético para eu ler notícias em meu computador é ínfimo se comparado a energia envolvida na impressão de um único exemplar de jornal. A publicidade via internet substitui muito bem as propagandas impressas pois, além de ser muito mais barata, possuem um maior alcance, maior facilidade de ditribuição e tempo de vida útil muito superior. Em uma propaganda digital ainda há agregado vantagens econômicas como a interação imediata entre o anunciante e seu público alvo. No caso de alguém se interessar por um produto anunciado via internet poderá comprá-lo imediatamente, sem nem mesmo se levantar da cadeira. As modalidades digitais de informação e interação podem ser grandes companheiras da natureza. Partindo desta premissa, pretendo promover a substituição dos meios materiais pelos digitais de forma coerente e conforme mostrar-se vantajosa para a natureza e a humanidade. |